Para grande
parte das pessoas do nosso país, psicólogo é sinônimo de atendimento clínico, etapa
de processo seletivo para vagas de trabalho ou aplicação de testes
“psicotécnicos”, especialmente para tirar a carta de habilitação. É claro que é
importante lembrar que a atuação do psicólogo é muito mais ampla que isso, mas
nesse momento gostaria de aprofundar aqui o assunto “atendimento clínico”, ou
dito de forma mais correta, a “psicoterapia”, que querendo ou não é a prática
de trabalho do psicólogo lembrada com maior frequência pelas pessoas, mas ao
mesmo tempo ainda são pouco conhecidos seus objetivos, para quem é indicado,
qual o papel do psicólogo e do paciente durante as sessões e o que diz o código
de ética profissional quanto à relação paciente/terapeuta.
A definição
de psicoterapia pode mudar de acordo com a visão teórica de cada psicólogo,
pois cada corrente da psicologia tem um entendimento particular sobre o papel
do terapeuta, sobre o desenvolvimento emocional saudável ao longo das etapas da
vida (infância, fase adulta e velhice), sobre as condições mais favoráveis para
o desenvolvimento da inteligência e de habilidades sociais, o que podem ser
considerados como obstáculos ao crescimento pessoal e até mesmo o que é considerado
como psicopatologia. No entanto, de uma forma geral podemos dizer que o
objetivo de toda psicoterapia é promover o autoconhecimento, através de um
momento de acolhida da queixa do paciente, de compreensão empática, para que o
terapeuta possa ajudar a pessoa a compreender melhor, de forma mais aprofundada
como funciona seu modo de pensar quanto ao que esta passando, quanto a si
mesmo, quanto aos outros, quanto ao mundo, perceber aquilo que ainda não
consegue perceber, para que possa por ele mesmo (o paciente) saber qual atitude
é a mais ideal, a mais madura a ser tomada para resolver seus problemas, para
alcançar seus objetivos e assim poder aliviar suas ansiedades, suas angustias e
ter um viver melhor. Isso não é exatamente cura; é desenvolvimento humano, pois
estaremos aprendendo a lidar não só com os conflitos do agora, mas com os que
certamente virão no futuro, porém, dessa vez, de forma mais serena.
A essa
altura, você que esta lendo este texto possivelmente já entendeu que fazer
terapia não é buscar respostas prontas e imediatas de outra pessoa para
resolver seus problemas, certo? Mesmo porque existe uma diferença enorme entre
você ouvir o que acham que é ideal para você e você se “conscientizar” do que é
ideal para você. Quem se conscientiza de algo é porque acreditou em algo; se
acreditou em algo é porque esse algo teve um sentido coerente e realista e,
para que isso tudo possa ocorrer é necessário pensar bem na questão. Muitas
vezes ouvir uma frase ou um conselho que lhe “pareceu” positivo e bacana pode
não ser aplicável para você, pois será mesmo que aquilo que é tão claro e ideal
para uma determinada pessoa é também claro e ideal para mim?
O paciente
não deve ser um escravo emocional de seu terapeuta e este não deve ser sua
“bengala” para se escorar para o resto da vida, sendo sua dependência eterna
para saber o que fazer e o que não fazer; o profissional deve ajudá-lo a
caminhar com as próprias pernas. O ato de pensar na psicoterapia não costuma
ser uma tarefa simples e fácil, porque é uma investigação mais detalhada a
cerca de nós mesmos e do que nos abala, logo, leva certo tempo para achar
respostas, (um tempo que varia de pessoa para pessoa, pois cada um tem seu
tempo de melhora) pode angustiar em alguns momentos, mas se for encarado como
algo necessário para o desenvolvimento pessoal, pode trazer alívio, sensação de
estar liberto das amarras da angústia. Quanto à prática, geralmente a maior
parte das sessões são conduzidas somente através do diálogo entre o paciente e
o terapeuta, mas dependendo do profissional, este pode fazer uso de alguns
recursos terapêuticos que ajudam o paciente em seu autoconhecimento, como por
exemplo, a prática de atividades artísticas, como pinturas, desenhos,
artesanatos (arte terapia), teatro (psicodrama), musica (musicoterapia), entre
outros. Tudo vai depender do paciente, se vai se sentir a vontade para fazer
essa ou aquela atividade, ou se prefere simplesmente dialogar com o terapeuta.
Quanto aos
cuidados na relação paciente/terapeuta, o código de ética dos psicólogos deixa
claro alguns detalhes importantes a serem respeitados tanto pelo psicólogo
quanto pelo paciente, como por exemplo, dentre os mais conhecidos são, o sigilo
sobre o que é conversado durante as sessões, não se vincularem de forma íntima
(relacionamento amoroso, sair como amigos, etc.), o respeito pela orientação
sexual e pela religiosidade (não tratando como doença ou com preconceitos), não
prometer prazos de melhora (varia de pessoa para pessoa), fazer uso somente de
princípios, conhecimentos e técnicas
reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação
profissional (exorcizar espíritos, usar água benta, entre outras coisas, por
exemplo, não são técnicas reconhecidas e autorizadas), entre outros pontos, que
podem ser conferidos no link abaixo, na pagina do Conselho Regional de
Psicologia de São Paulo e de demais cidades, onde o paciente também pode, caso
deseje, verificar se o profissional é devidamente registrado e autorizado pelo
Conselho a exercer a profissão de psicólogo, bastando pesquisar pelo número de
registro profissional (CRP) ou nome completo do terapeuta.
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