quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O que é psicoterapia?

Para grande parte das pessoas do nosso país, psicólogo é sinônimo de atendimento clínico, etapa de processo seletivo para vagas de trabalho ou aplicação de testes “psicotécnicos”, especialmente para tirar a carta de habilitação. É claro que é importante lembrar que a atuação do psicólogo é muito mais ampla que isso, mas nesse momento gostaria de aprofundar aqui o assunto “atendimento clínico”, ou dito de forma mais correta, a “psicoterapia”, que querendo ou não é a prática de trabalho do psicólogo lembrada com maior frequência pelas pessoas, mas ao mesmo tempo ainda são pouco conhecidos seus objetivos, para quem é indicado, qual o papel do psicólogo e do paciente durante as sessões e o que diz o código de ética profissional quanto à relação paciente/terapeuta.

A definição de psicoterapia pode mudar de acordo com a visão teórica de cada psicólogo, pois cada corrente da psicologia tem um entendimento particular sobre o papel do terapeuta, sobre o desenvolvimento emocional saudável ao longo das etapas da vida (infância, fase adulta e velhice), sobre as condições mais favoráveis para o desenvolvimento da inteligência e de habilidades sociais, o que podem ser considerados como obstáculos ao crescimento pessoal e até mesmo o que é considerado como psicopatologia. No entanto, de uma forma geral podemos dizer que o objetivo de toda psicoterapia é promover o autoconhecimento, através de um momento de acolhida da queixa do paciente, de compreensão empática, para que o terapeuta possa ajudar a pessoa a compreender melhor, de forma mais aprofundada como funciona seu modo de pensar quanto ao que esta passando, quanto a si mesmo, quanto aos outros, quanto ao mundo, perceber aquilo que ainda não consegue perceber, para que possa por ele mesmo (o paciente) saber qual atitude é a mais ideal, a mais madura a ser tomada para resolver seus problemas, para alcançar seus objetivos e assim poder aliviar suas ansiedades, suas angustias e ter um viver melhor. Isso não é exatamente cura; é desenvolvimento humano, pois estaremos aprendendo a lidar não só com os conflitos do agora, mas com os que certamente virão no futuro, porém, dessa vez, de forma mais serena.

A essa altura, você que esta lendo este texto possivelmente já entendeu que fazer terapia não é buscar respostas prontas e imediatas de outra pessoa para resolver seus problemas, certo? Mesmo porque existe uma diferença enorme entre você ouvir o que acham que é ideal para você e você se “conscientizar” do que é ideal para você. Quem se conscientiza de algo é porque acreditou em algo; se acreditou em algo é porque esse algo teve um sentido coerente e realista e, para que isso tudo possa ocorrer é necessário pensar bem na questão. Muitas vezes ouvir uma frase ou um conselho que lhe “pareceu” positivo e bacana pode não ser aplicável para você, pois será mesmo que aquilo que é tão claro e ideal para uma determinada pessoa é também claro e ideal para mim?

O paciente não deve ser um escravo emocional de seu terapeuta e este não deve ser sua “bengala” para se escorar para o resto da vida, sendo sua dependência eterna para saber o que fazer e o que não fazer; o profissional deve ajudá-lo a caminhar com as próprias pernas. O ato de pensar na psicoterapia não costuma ser uma tarefa simples e fácil, porque é uma investigação mais detalhada a cerca de nós mesmos e do que nos abala, logo, leva certo tempo para achar respostas, (um tempo que varia de pessoa para pessoa, pois cada um tem seu tempo de melhora) pode angustiar em alguns momentos, mas se for encarado como algo necessário para o desenvolvimento pessoal, pode trazer alívio, sensação de estar liberto das amarras da angústia. Quanto à prática, geralmente a maior parte das sessões são conduzidas somente através do diálogo entre o paciente e o terapeuta, mas dependendo do profissional, este pode fazer uso de alguns recursos terapêuticos que ajudam o paciente em seu autoconhecimento, como por exemplo, a prática de atividades artísticas, como pinturas, desenhos, artesanatos (arte terapia), teatro (psicodrama), musica (musicoterapia), entre outros. Tudo vai depender do paciente, se vai se sentir a vontade para fazer essa ou aquela atividade, ou se prefere simplesmente dialogar com o terapeuta.

Quanto aos cuidados na relação paciente/terapeuta, o código de ética dos psicólogos deixa claro alguns detalhes importantes a serem respeitados tanto pelo psicólogo quanto pelo paciente, como por exemplo, dentre os mais conhecidos são, o sigilo sobre o que é conversado durante as sessões, não se vincularem de forma íntima (relacionamento amoroso, sair como amigos, etc.), o respeito pela orientação sexual e pela religiosidade (não tratando como doença ou com preconceitos), não prometer prazos de melhora (varia de pessoa para pessoa), fazer uso somente de princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional (exorcizar espíritos, usar água benta, entre outras coisas, por exemplo, não são técnicas reconhecidas e autorizadas), entre outros pontos, que podem ser conferidos no link abaixo, na pagina do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e de demais cidades, onde o paciente também pode, caso deseje, verificar se o profissional é devidamente registrado e autorizado pelo Conselho a exercer a profissão de psicólogo, bastando pesquisar pelo número de registro profissional (CRP) ou nome completo do terapeuta.


E finalizando, é importante também orientar que a psicoterapia não é indicada somente para pessoas que sofrem de alguma psicopatologia (doença da mente), mas também é indicada para qualquer pessoa que busque o autoconhecimento como forma de desenvolvimento pessoal, seja por quaisquer motivos, pois podemos levar ás sessões qualquer assunto que desejamos, inclusive aqueles que não temos coragem de conversar com outras pessoas e que buscamos alguém que nos ouça sem nos condenar, pois não cabe ao psicólogo julgar moralmente, tendo sempre em mente que nosso sigilo esta garantido pela ética profissional. Podemos fazer uso da psicoterapia também em situações onde temos problemas que nos afetam emocionalmente, mas que não necessariamente nos torna uma pessoa doente, até mesmo porque assim estaremos trabalhando com a prevenção de nossa saúde mental, justamente para que não desenvolvamos um quadro grave no futuro.

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