quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O que é saúde mental?

O conceito de saúde mental é considerado algo subjetivo (variável), pois muda de acordo com as épocas e a cultura de cada pessoa. Porém, para a maior parte da população e dos especialistas, mesmo que sejam de culturas diferentes e também dentro do entendimento da Organização Mundial De Saúde (OMS), a saúde mental é definida como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere“. Em outras palavras isso significa que a pessoa que é mentalmente saudável é aquela que exerce suas atividades do dia a dia, sejam elas profissionais, intelectuais, domésticas ou sociais, como estudar, trabalhar, cuidar da casa e dos filhos, fazer amizades, namorar, entre outras coisas e, ao mesmo tempo sabe lidar com os problemas que a abalam emocionalmente e mentalmente, inclusive na hora de saber procurar por ajuda quando precisa, ao mesmo tempo em que é uma boa cidadã, pois busca não causar danos a outras pessoas na sociedade, por uma questão ética e moral.

Contudo, a saúde mental costuma ser muito lembrada na maioria das vezes em situações de crise intensa, onde a pessoa é diagnosticada com uma psicopatologia crônica ou tem problemas com vícios, como álcool e drogas, situações onde normalmente precisa seguir um tratamento com base em medicações e algumas terapias. Isso não esta errado, mas infelizmente poucas vezes a saúde mental é lembrada como uma necessidade preventiva, ou seja, poucas vezes é entendido que é necessário fazer trabalhos de prevenção justamente para que não sejamos vítimas de situações crônicas, que implicam em afastamentos no trabalho, vícios, crises familiares, quebra de vínculos sociais, suicídios, etc. Por uma questão de descaso governamental e de culturas antigas é que muitas pessoas ainda acreditam que se preocupar com a saúde mental é (no dito popular) “coisa de louco”, ou seja, somente “os loucos é que tem que ir atrás disto”, “somente os loucos vão ao psicólogo”, etc. Crenças como essa resultam na criação de certa resistência na pessoa que no fundo muitas vezes sabe pelo que esta passando, sabe que precisa de um tratamento, mas resiste com medo do que seus familiares, amigos e colegas vão pensar a seu respeito.

Os profissionais que atuam nesta área da saúde, a exemplo dos psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, entre outros, deveriam estar mais inseridos em diversos setores da sociedade trabalhando com ações preventivas para o bem estar emocional e mental, como por exemplo, dentro das empresas, trabalhando com as relações entre funcionários e gestores, com a gestão do desgaste mental e emocional na pratica laboral e não somente com admissões, demissões e afastamentos, assim como em escolas da rede pública e privada, trabalhando a relação entre professores, alunos, direção e familiares, mecanismos de aprendizagem, estruturação do ambiente de ensino, palestras de orientação, entre outros e nos nossos bairros em serviços públicos de monitoramento sócio assistencial, realizando visitas domiciliares, promovendo atividades educativas que visem orientar a população sobre a importância da saúde mental preventiva, sobre vícios, sobre cidadania, sobre direitos que auxiliam em situações de crise, etc. Esses tipos de ações existem, mas são extremamente pouco praticadas.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM V é uma publicação da medicina psiquiátrica que serve como um guia que orienta o profissional em saúde mental sobre características específicas das doenças mentais conhecidas; porém ao mesmo tempo que orienta ele também provoca polêmicas quanto a classificação de certas doenças, como por exemplo sobre aspectos que envolvem crenças religiosas, como visões, escuta de vozes de entidades e intuições sobre a realidade, que são classificados como sendo de natureza psicótica, o que é considerado um insulto por parte dos membros de determinadas religiões. Como forma de cuidado específico com esse público foram criadas instituições de saúde mental especificamente voltadas para determinados grupos de religiosos, que as buscam no intuito de poderem tratar a mente sem serem taxados como “loucos” por causa de questões relacionadas á sua fé. Porém isso não teria necessidade se houvesse maior empatia e um melhor manejo por parte dos profissionais quanto aos seus pacientes, entendendo que cada pessoa pensa da forma como pensa devido a sua cultura e isso implica na crença de um sentido de vida, que pode estar fazendo com que a pessoa seja bem estruturada emocionalmente e não necessariamente por causa de sua fé ela venha a desenvolver uma psicopatologia.


Segundo a concepção da psicologia humanista e positivista, a saúde mental também é sinônimo do exercício constante de superação das capacidades, de pensamento positivo diante de adversidades e de transcendência da condição humana, com uma visão positiva sobre o sentido da existência. Mas acima de tudo, devemos ter em mente que cada pessoa tem uma visão e necessidades específicas quanto ao seu bem estar emocional e mental, independente de idade e classe social e que devemos buscar aceitar a pessoa com suas limitações, posicionamentos e reconhecer suas capacidades, promovendo sempre o contato social, orientação, tratamento e reabilitação, não como uma caridade, mas como uma garantia de direitos, prevista na lei n 10.216, de 6 de abril de 2011, que dispõe sobre a proteção e os direitos da pessoa portadora de transtornos mentais e que redirecionou o modelo assistencial em saúde mental através do movimento da “luta antimanicomial”, que trouxe um modelo de tratamento mais humanizado, junto da convivência familiar e comunitária e não mais no isolamento segregado do manicômio.

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