O conceito de saúde mental é considerado algo subjetivo
(variável), pois muda de acordo com as épocas e a cultura de cada pessoa.
Porém, para a maior parte da população e dos especialistas, mesmo que sejam de
culturas diferentes e também dentro do entendimento da Organização Mundial De
Saúde (OMS), a saúde mental é definida como “o estado de bem-estar no qual o
indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da
vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade
em que se insere“. Em outras palavras isso significa que a pessoa que é
mentalmente saudável é aquela que exerce suas atividades do dia a dia, sejam
elas profissionais, intelectuais, domésticas ou sociais, como estudar,
trabalhar, cuidar da casa e dos filhos, fazer amizades, namorar, entre outras
coisas e, ao mesmo tempo sabe lidar com os problemas que a abalam
emocionalmente e mentalmente, inclusive na hora de saber procurar por ajuda
quando precisa, ao mesmo tempo em que é uma boa cidadã, pois busca não causar
danos a outras pessoas na sociedade, por uma questão ética e moral.
Contudo, a saúde mental costuma ser muito lembrada na
maioria das vezes em situações de crise intensa, onde a pessoa é diagnosticada
com uma psicopatologia crônica ou tem problemas com vícios, como álcool e
drogas, situações onde normalmente precisa seguir um tratamento com base em
medicações e algumas terapias. Isso não esta errado, mas infelizmente poucas
vezes a saúde mental é lembrada como uma necessidade preventiva, ou seja,
poucas vezes é entendido que é necessário fazer trabalhos de prevenção
justamente para que não sejamos vítimas de situações crônicas, que implicam em
afastamentos no trabalho, vícios, crises familiares, quebra de vínculos sociais,
suicídios, etc. Por uma questão de descaso governamental e de culturas antigas
é que muitas pessoas ainda acreditam que se preocupar com a saúde mental é (no
dito popular) “coisa de louco”, ou seja, somente “os loucos é que tem que ir
atrás disto”, “somente os loucos vão ao psicólogo”, etc. Crenças como essa
resultam na criação de certa resistência na pessoa que no fundo muitas vezes sabe
pelo que esta passando, sabe que precisa de um tratamento, mas resiste com medo
do que seus familiares, amigos e colegas vão pensar a seu respeito.
Os profissionais que atuam nesta área da saúde, a exemplo
dos psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, entre outros, deveriam
estar mais inseridos em diversos setores da sociedade trabalhando com ações
preventivas para o bem estar emocional e mental, como por exemplo, dentro das
empresas, trabalhando com as relações entre funcionários e gestores, com a
gestão do desgaste mental e emocional na pratica laboral e não somente com
admissões, demissões e afastamentos, assim como em escolas da rede pública e
privada, trabalhando a relação entre professores, alunos, direção e familiares,
mecanismos de aprendizagem, estruturação do ambiente de ensino, palestras de
orientação, entre outros e nos nossos bairros em serviços públicos de
monitoramento sócio assistencial, realizando visitas domiciliares, promovendo
atividades educativas que visem orientar a população sobre a importância da
saúde mental preventiva, sobre vícios, sobre cidadania, sobre direitos que
auxiliam em situações de crise, etc. Esses tipos de ações existem, mas são
extremamente pouco praticadas.
O Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM V é uma publicação da
medicina psiquiátrica que serve como um guia que orienta o profissional em
saúde mental sobre características específicas das doenças mentais conhecidas;
porém ao mesmo tempo que orienta ele também provoca polêmicas quanto a
classificação de certas doenças, como por exemplo sobre aspectos que envolvem
crenças religiosas, como visões, escuta de vozes de entidades e intuições sobre
a realidade, que são classificados como sendo de natureza psicótica, o que é
considerado um insulto por parte dos membros de determinadas religiões. Como
forma de cuidado específico com esse público foram criadas instituições de
saúde mental especificamente voltadas para determinados grupos de religiosos,
que as buscam no intuito de poderem tratar a mente sem serem taxados como
“loucos” por causa de questões relacionadas á sua fé. Porém isso não teria
necessidade se houvesse maior empatia e um melhor manejo por parte dos
profissionais quanto aos seus pacientes, entendendo que cada pessoa pensa da
forma como pensa devido a sua cultura e isso implica na crença de um sentido de
vida, que pode estar fazendo com que a pessoa seja bem estruturada
emocionalmente e não necessariamente por causa de sua fé ela venha a
desenvolver uma psicopatologia.
Segundo a concepção da psicologia humanista e positivista, a
saúde mental também é sinônimo do exercício constante de superação das
capacidades, de pensamento positivo diante de adversidades e de transcendência
da condição humana, com uma visão positiva sobre o sentido da existência. Mas
acima de tudo, devemos ter em mente que cada pessoa tem uma visão e necessidades
específicas quanto ao seu bem estar emocional e mental, independente de idade e
classe social e que devemos buscar aceitar a pessoa com suas limitações,
posicionamentos e reconhecer suas capacidades, promovendo sempre o contato
social, orientação, tratamento e reabilitação, não como uma caridade, mas como
uma garantia de direitos, prevista na lei n 10.216, de 6 de abril de 2011, que
dispõe sobre a proteção e os direitos da pessoa portadora de
transtornos mentais e que redirecionou o modelo assistencial em saúde mental
através do movimento da “luta antimanicomial”, que trouxe um modelo de
tratamento mais humanizado, junto da convivência familiar e comunitária e não
mais no isolamento segregado do manicômio.
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